Como saber se você está vivendo no automático?
Descubra os sinais de que você pode estar vivendo no automático, entenda por que isso acontece e como a Gestalt-terapia pode ajudar a recuperar a conexão consigo mesma.
Você acorda.
Olha o celular.
Responde algumas mensagens antes mesmo de sair da cama.
Pensa no que precisa resolver naquele dia.
Vai para o trabalho.
Cumpre horários.
Resolve problemas.
Volta para casa.
Prepara o jantar.
Organiza a rotina do dia seguinte.
E então percebe que mais um dia terminou.
Parece mais uma lista de tarefas a se seguir né?
Mas, se alguém perguntasse como você realmente se sentiu hoje, talvez fosse difícil responder. Não porque você não tenha vivido, mas porque, em muitos momentos, você apenas funcionou.
Essa é uma experiência mais comum do que parece. Muitas pessoas chegam ao consultório dizendo algo como: "Minha vida está acontecendo, mas parece que eu não estou nela."
Por fora, tudo parece funcionar. Por dentro, existe uma sensação difícil de explicar.
Como se você tivesse perdido o contato consigo mesma.
E, muitas vezes, esse processo acontece tão lentamente que quase passa despercebido.
Quando a vida deixa de ser vivida e passa apenas a ser administrada
Viver no automático não significa ser preguiçosa, desorganizada ou incapaz. Na verdade, muitas pessoas que vivem assim são extremamente competentes.
São aquelas que conseguem trabalhar, cuidar da casa, manter relacionamentos, criar filhos e resolver problemas diariamente. O sofrimento não está na falta de capacidade, está na ausência de presença.
Você faz tudo o que precisa. Mas quase nunca percebe como está enquanto faz.
O café perde o sabor.
As conversas acontecem sem verdadeira atenção. Os finais de semana parecem apenas uma preparação para a próxima segunda-feira. Os dias começam a ficar parecidos.
E, aos poucos, a vida deixa de ser experimentada para ser simplesmente executada.
Essa desconexão nem sempre provoca grandes crises. Às vezes, ela aparece de maneira muito mais silenciosa: Na dificuldade de sentir entusiasmo, na sensação constante de cansaço, na impressão de que você está sempre ocupada, mas raramente satisfeita.
Os sinais de que talvez você esteja vivendo no automático
Nem sempre é fácil perceber. Mas alguns sinais costumam aparecer com frequência.
1. Você faz muitas coisas sem perceber como está.
Pergunte a si mesma: Enquanto organizava sua rotina hoje, você percebeu seu corpo?
Notou sua respiração? Percebeu se estava tensa, ansiosa ou cansada? Ou apenas
continuou fazendo o que precisava ser feito?
2. Você conhece as necessidades de todo mundo, menos as suas.
Algumas pessoas conseguem identificar rapidamente quando alguém está triste.
Percebem quando um filho precisa de atenção, quando um parceiro está preocupado,
quando um colega está sobrecarregado. Mas têm dificuldade de responder uma
pergunta simples: "Do que eu preciso hoje?"
3. Descansar provoca culpa.
Mesmo quando surge um momento livre, sua mente continua trabalhando.
Você pensa nas tarefas acumuladas.
Na lista de compromissos.
Naquilo que ainda deveria fazer.
O corpo tenta descansar.
Mas a mente permanece em estado de alerta.
4. Faz tempo que você não sente entusiasmo genuíno.
Não é que tudo esteja ruim. Você apenas deixou de sentir verdadeira presença.
As coisas acontecem. Mas quase nada toca você profundamente.
Por que isso acontece?
Na Gestalt-terapia, compreendemos que o ser humano busca naturalmente atender às próprias necessidades: Quando sentimos fome, procuramos alimento. Quando sentimos cansaço, buscamos descanso. Quando percebemos tristeza, procuramos apoio.
Esse movimento espontâneo faz parte da nossa autorregulação.
O problema surge quando aprendemos, ao longo da vida, a interromper esse contato.
Algumas pessoas aprenderam que demonstrar necessidade era sinal de fraqueza.
Outras descobriram cedo que cuidar dos outros era mais seguro do que cuidar de si.
Há quem tenha crescido acreditando que só seria valorizado se estivesse produzindo, resolvendo ou sustentando tudo. Essas estratégias fazem sentido em determinado momento da vida.
Na Gestalt-terapia, chamamos isso de ajustamentos criativos: maneiras que encontramos de lidar com as situações disponíveis naquele contexto.
O desafio aparece quando continuamos repetindo essas estratégias, mesmo quando elas já não respondem às necessidades do presente.
Sem perceber, deixamos de perguntar: "O que eu preciso agora?"
E passamos a perguntar apenas: "O que ainda falta fazer?"



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